Sororidade Seletiva

“Mostre-me o homem e eu encontrarei seu crime”, dizia Lavrenti Beria, chefe da polícia política de Stálin. Por analogia, mostre-me a mulher que está sofrendo algum tipo de assédio ou dificuldade, e eu direi se ela merece defesa ou não. Se for da tchurminha do amor, está absolvida sem necessidade de provas. Se não, estará condenada, mesmo que apresente “provas sobradas”. E aí, a turma da lacração tenta sair da insignificância com vídeos e discursos, demonstrando apoio incondicional ao personagem da vez.

Pensemos, agora, sobre a tal SORORIDADE, palavra que significa união, irmandade, empatia entre mulheres ou a prática de ouvir, valorizar, respeitar outras mulheres. Pois, na semana que passou, muitas artistas reapareceram para defender Marina Silva, Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, que, segundo eles, teria sido desrespeitada no Congresso, por ocasião da aprovação pelo Senado da Lei Geral do Licenciamento Ambiental (LGLA) que deixou em polvorosa todo o aparato internacional que opera no Brasil por meio de associações empresariais e ONGS ambientalistas. A aprovação desta lei é apenas um respiro para produtores rurais obrigados a produzir segundo diretrizes do Ibama, OCDE, STF e de países desenvolvidos e já industrializados. Evidentemente que esses representantes do verdismo não querem que haja desenvolvimento em áreas cujo subsolo está repleto de riquezas. Mas este é um assunto para outro texto.

Vendo e revendo o vídeo da sessão plenária, não se vê ali nenhum desrespeito à mulher. O que se vê é uma discussão acalorada de congressistas com um Ministro de Estado, que por acaso é mulher, mas não por acaso é Marina Silva, que não foi escolha do partido que governa, mas uma imposição de organismos internacionais que solapam a soberania do país. E, para quem já esqueceu da história, relembre-se que a proteção à fada da floresta é tanta, que ela, na última hora, mudou a agenda e não embarcou no voo cuja queda, em 13 de agosto de 2914, levou a óbito o então candidato à presidência Eduardo Campos, que tinha Marina Silva como vice. Para os protegidos, até as incidências são favoráveis.

Mas o assunto agora é sororidade. Onde estavam essas empáticas mulheres, quando Damares Alves relatou sua história de abusos? E quando ela denunciou as práticas horrorosas cometidas contra as meninas da Ilha de Marajó, qual foi a comoção?  Além de ter sofrido toda a sorte de deboches e críticas, foi vítima de perseguição implacável de Xuxa, que organizou uma campanha de cassação antes que a então senadora eleita tomasse posse, conforme reportagens da Revista Veja (11/10/2022) e do Poder 360 (12/10/2022). Essas pessoas tão fraternas também não se manifestaram em defesa de Natália Schincariol que acusou Luís Cláudio Lula da Silva de violência doméstica. Onde estão quando policiais mulheres morrem em serviço? Sequer recebem uma notinha de rodapé. Ninguém fará vídeos em honra a quem perdeu a própria vida em defesa de outrem. Ou quem sabe recitem como réquiem que todo “direitista” deve ser morto com “uma boa bala”, como disse aquele sociólogo, em 2015. E todas as mulheres, mães, avós ainda presas por um ato que não cometeram? Por que não têm direito ao mesmo benefício que recebeu Adriana Ancelmo, esposa de Sergio Cabral, que teve prisão preventiva convertida em prisão domiciliar, pois Gilmar Mendes disse que não deve haver “punição excessiva” à mulher ou à criança. Por que não recebem uma palavra sequer de compaixão?

Cabe aqui ressaltar também o quanto estas mulheres tão irmanadas são hábeis em destruir a reputação de homens que sofrem falsa imputação de assédio. Isso aconteceu com o ator José Mayer, vítima do “MEXEU COM UMA MEXEU COM TODAS”. Mais recentemente, a vítima foi o comediante Marcius Melhem, acusado falsamente por Dani Calabresa e mais uma trupe de sorores.

Difícil encontrar palavras para descrever os tempos em que se vive, mas não se pode mais manter-se indiferente diante de injustiças cometidas e de falsas narrativas que são criadas. Não se pode calar diante da verdade e dos fatos como se apresentam. Se a covardia continuar imperando, os stálins tupiniquins continuarão a decidir quem merece aplauso e quem eles levarão ao cadafalso.

Professora Thais Corazza

contato@profthaiscorazza.com

Professora de Português, fundadora do Movimento Conservador de Tapera, palestrante sobre temas educacionais, comportamentais, políticos e opinadora sobre temas contemporâneos.

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