BYE, BYE, BRASIL

A temática do filme Bye, Bye, Brasil, de 1979, aborda a preocupação do diretor Cacá Diegues, falecido neste ano, com a aculturação do brasileiro do interior do Brasil, principalmente pelo modo de ser “estadunidense”. Não sei se essa preocupação se manteve, já que desconheço manifestação, até sua morte, contra a influência que o governo Biden, por meio da Usaid, teve por ocasião das eleições de 2022.

Ou se estaria preocupado com o fato de o Brasil estar sob influência direta do governo chinês, conforme atestam as declarações e ações do governo atual em consonância com o STF.

Pois, agora, em 2025, Bye, Bye, Brasil, não é mais uma obra de ficção. É realidade na carne e no osso do brasileiro que não encontra mais razões para viver no Brasil. A saída de brasileiros, que buscam novas alternativas, é recorde. E este é um processo doloroso para aqueles que tentam sair de um futuro sem perspectivas, embora vivam num país com abundância de alimentos, água, riquezas minerais e naturais. Mas também em que abundam corrupção, escândalos, impunidade, ignorância, mediocridade da educação. Sob este aspecto, dados informam que os que abandonam o país são os brasileiros mais qualificados.  90% deles com curso superior em administração de empresas, engenharia elétrica e eletrônica, computação e área da saúde. Estes, particularmente, vão trabalhar como pesquisadores em hospitais e ambulatórios. A maioria dos que saem são homens com idade entre 35 e 45 anos; 80% são casados, com crianças menores. 60% desses têm intenção de empreender nos Estados Unidos, pais que mais recebe brasileiros. Os melhores cérebros do país garantindo o desenvolvimento de outras nações.

Parece que a preocupação dos contemporâneos de Cacá Diegues não se confirmou: não foi a cultura “estadunidense” que aportou por aqui. São os próprios brasileiros que escolhem adotá-la. E a cidade de Altamira, no Pará, que, segundo o filme, seria a esperança de prosperidade, com todo o tipo de fartura (propaganda, aliás, feita pelos governos dos anos 1970, que apostavam no milagre brasileiro e na prosperidade da região amazônica), hoje é o retrato do que o Brasil na verdade se tornou. Um gigante sem infraestrutura básica, sem progresso econômico e social por falta de investimentos, principalmente na estrutura viária cuja melhoria é impedida justamente por ONGS internacionais em conluio com o Ministério do Meio Ambiente e outras instituições que recebem bilhões para impedir o desenvolvimento do país. É disso que os brasileiros fogem: da entrega da soberania do Brasil a instituições internacionais, da ausência de incentivos para o crescimento individual e coletivo. Portanto, quem temia a colonização precisa assumir que hoje se tem uma dominação, uma ausência total de soberania. E pior: um Estado que age diuturnamente, por meio de suas instituições, contra as liberdades individuais do cidadão.

E quem fica?

 Segundo o IBGE, 35,9% de jovens entre 15 e 29 anos não estudam nem trabalham. Os dados são de 2023 da Síntese de Indicadores Sociais. São jovens que não estão ganhando experiência profissional e nem qualificação. E, sem pessoas dispostas ao trabalho, como as empresas vão funcionar? Dados publicados no jornal Estado de Minas mostram que 38% dos universitários são analfabetos funcionais. Mais de metade dos alunos brasileiros de 9 anos de idade não sabe fazer contas básicas de matemática.  Junte-se a isso dado do jornal Valor que informa que, em 2023, mais de 2 milhões de empresas fecharam suas atividades. Em 2024,  2.273 empresas solicitaram pedido de recuperação judicial. Inadimplência das empresas bate recorde e chega a 7,3 milhões. Dívida dos brasileiros já corrói 27% da renda e mais de 70% deles não conseguem pagar cesta básica ideal.          

 E mais.

 Pesquisa do Data Folha, publicada em 13/06/2025, revela que orgulho de ser brasileiro cai e pessimismo aumenta.  O medo do futuro atingiu o maior nível da série histórica. 73% dos entrevistados menciona a insegurança  como a maior preocupação. Desânimo aparece com 64%, seguido de tristeza (63%). A avaliação sobre o governo atual também se deteriora.

Se no filme Bye, Bye, Brasil a melancolia se dava pelas mudanças pelas quais passava a identidade nacional, segundo a visão do diretor, hoje a tristeza acontece pelo exílio voluntário daqueles que não suportam viver sem condições de empreender, sem condições de suprir uma educação mínima aos seus filhos. Quem pode, quem tem coragem, ou alguma outra cidadania desiste do país, buscando sobrevivência em terras estranhas, com outra cultura. Isso não é covardia: é lidar com a realidade.

Fica aqui a geração que ainda tem na memória a lembrança do que o país poderia ter sido ao lado de outros poucos heróicos que carregarão um país devastado por um sistema político podre que alimenta a ignorância para dela depois se fartar. Isso é pessimismo? Não. São os fatos. E como dizia John Adams, os fatos são teimosos. E é com essa realidade que quem aqui fica tem de lidar.

          – Ressalva: neste texto, não abordamos o êxodo compulsório de inúmeros jornalistas brasileiros perseguidos implacavelmente pelo “Estado Democrático de Direito”, por ser um assunto doloroso que merece um texto próprio.        

           – A palavra “estadunidense” deve ser lida de forma jocosa, já que faz parte do vocabulário de um grupo ideológico que odeia os Estados Unidos, mas sempre que pode corre para lá.    

                              

20/06/2025

Professora Thais Corazza

contato@profthaiscorazza.com

Professora de Português, fundadora do Movimento Conservador de Tapera, palestrante sobre temas educacionais, comportamentais, políticos e opinadora sobre temas contemporâneos.

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