Segundo o escritor e roteirista George RR Martin, “quando você arranca e língua de um homem, você não está provando que ele é um mentiroso. Você está apenas dizendo ao mundo que você teme o que ele pode dizer”. 
Partindo desta premissa, pode-se afirmar o quão temoroso está o estabilishiment político brasileiro que apoia, silentemente, a decisão do STF que decidiu, por 8 votos a 3, que conteúdos em redes sociais podem ser excluídos, bastando o envio de um e-mail às plataformas digitais. Antes, para a exclusão de postagens e/ou artigos de opinião, havia a necessidade de decisão judicial. Como consequência, muitas publicações legítimas serão excluídas, até por precaução das big techs, e muitos usuários acabarão se autocensurando para evitar incômodos com denúncias infundadas.
Sabe aquele vizinho que denunciava todo mundo na época da fraudemia? Pois é: começou aí. Todo totalitarismo começa com a normalização de absurdos. Governos tirânicos se instalam quando milhões passam a se autocensurar, quando deixam de defender suas ideias publicamente, quando falar verdades óbvias se torna um ato de coragem.
Para que a regulamentação das redes não pareça absurda, a listagem de crimes conta com alguns já previstos no Marco Civil da Internet. O que interessa mesmo para os censores são “os atos antidemocráticos”, “discursos de ódio”, “discriminações diversas”, temas sobre os quais não há definição em nenhuma lei anterior. Também na decisão do STF foi instituído o “dever de cuidado”, ou seja, as plataformas devem zelar para que alguns assuntos sequer cheguem ao espaço público. Um nome bonitinho para a censura prévia. Provavelmente surgirá um index prohibitorum, para que os usuários de redes socias não saiam da linha. Contudo, isso só valerá, certamente, para uma parcela da população.

O que distingue democracias de regimes autoritários é a garantia de direitos fundamentais, como a liberdade de expressão. Mas a intenção aqui não é proteger do povo: é controlá-lo. O truque é sempre o mesmo: primeiro, cria-se o problema: desordem informacional, ataques à democracia, discurso de ódio. Depois apresentam-se como solução a censura e o controle. Só que agora a solução é pilatiana: o problema é das plataformas permitirem ou não a veiculação desses “absurdos”.


Desde 2018, está claro que a censura existe apenas para uma parcela expressiva da população, ficando evidente que a questão não é o que se fala, mas quem fala.





Os votos mais constrangedores foram da Ministra Carmem Lúcia que denominou os brasileiros de tiranos virtuais e o choro de Dias Tóffoli. Carmen Lúcia, que antigamente dizia “cala boca já morreu”, agora deixa claro que os brasileiros não têm mais soberania na internet, ou seja, não têm sequer o direito a uma opinião. Já o choro do outro togado pareceu de alívio, pois, finalmente, o Supremo, que já expressara admiração pelo regime chinês no voto de Gilmar Mendes, finalmente atende à agenda supranacional que busca minar as soberanias dos países, pois está subserviente a todas ODSs da agenda 2.0.3.0. da ONU.
E, com certeza, o cerceamento não parará por aqui: jovem venezuelana foi condenada a 10 anos por postar críticas no facebook. Na Alemanha, o departamento federal de polícia criminal realizou cerca de 170 operações em todo o país visando combater o “ódio e incitamento” nas redes sociais. Lá, como aqui, ninguém de esquerda foi preso. Os britânicos há muito já não podem se manifestar sobre imigração, por exemplo.
A história mostra que, quando os governos declaram guerra ao seu povo, primeiro o impede de falar, depois o encarcera, até que o silêncio seja eterno.
Infelizmente, o brasileiro desconhece o que realmente seja liberdade, pois sempre deu poderes demais ao Estado e até clama pela sua interferência, ferindo os direitos individuais. E isso não é obra do acaso. É consequência de anos de manipulação feita por uma mídia carcomida que há tempos não se preocupa com seus leitores, pois de seu suporte não precisa, já que vive de abundantes verbas estatais e tudo fará para calar a boca da população. Para isso, cria narrativas ( o novo nome para mentiras), impõe realidades paralelas, levanta diariamente questões superficiais da moralidade progressista, totalmente distanciadas dos reais problemas da população, enquanto esconde esquemas financeiros, corrupção, acordos feitos a portas fechadas, concentração de riqueza, venda do patrimônio nacional, conchavos de toda ordem.

É por tudo isso que as redes abertas querem sumir com as redes sociais e se escondem por trás de projetos de lei, como o PL 2331/2022, relatado por Jandira Feghali, do PcdoB, que quer taxar qualquer criação de conteúdos que divulgue anúncios. De programas de culinária, de mecânica, de literatura a políticos, todos precisarão de autorização da Ancine para divulgar conteúdos. O projeto de lei, apelidado de PL da Globo, pois a ela favorece, é mais uma forma disfarçada de censura, uma tentativa de asfixiar qualquer empreendedor digital. Mais uma armadilha contra a liberdade de expressão, contra o empreendedorismo, o crescimento pessoal de quem trabalha por meios digitais.
O plano está claro: esconder a sanha de poder do regime atual, a preferência deste governo por bandidos e corruptos, a destruição da classe média com o aumento abusivo de impostos, a gastança indiscriminada do rei e de seus asseclas, a idiotização do povo causada por uma educação sofrível e entretenimento de baixa qualidade. Sem contar a criminalização de qualquer ideia divergente, o encarceramento de inocentes, a destruição imposta aos que não se rendem à covardia. O objetivo? Eleições de 2026.



Diz a ministra que “não se pode permitir que nós estejamos numa ágora em que haja 213 milhões de pequenos tiranos soberanos”. Isso traz à memória o pensamento de Joseph Stalin: “ nós não permitimos que nossos inimigos tenham armas, por que deveríamos permitir que tenham ideias?”
Mas tudo deve ser coincidência. 07/07/2025
ODS: objetivos de desenvolvimento sustentável (ONU)