No filme O Feitiço do Tempo, o protagonista fica preso numa espécie de túnel do tempo, condenado a permanecer indefinidamente no mesmo dia, enfrentando as mesmas frustrações, os mesmos dissabores.

Assim nos encontramos no Brasil: eternamente presos aos mesmos problemas, vivendo as mesmas situações, vendo a história repetir-se ad nauseam, apenas assistindo às suas intermináveis desgraças, numa passividade inimaginável para um povo que vive sem educação, saúde, segurança, sem perspectiva de futuro. Aguardamos placidamente que o tempo resolva as agruras do país ou que alguém resgate o povo de sua inação paquidérmica.
Fiquei meses sem alimentar este blog por pura exaustão… E, neste ínterim, nada mudou: escândalos de corrupção se avolumam como “nunca antes na história deste país”. Agora, porém, não há mais filtro na “ética” da pilhagem: pobres, idosos, aposentados, indígenas, funcionários públicos todos igualmente esfolados para sustentar viagens, carros, cartões corporativos, jantares, regados a vinhos de R$ 1.2 mil, congressos no exterior, hotéis de luxos. Os números são apenas uma abstração: 6,3 bi (até o momento) surrupiados de aposentados; 48 milhões para respiradores que sequer foram comprados; 5,6 milhões para uma Ong petista distribuir quentinhas invisíveis; contrato de CBF com o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, que rendeu ao IDP a vultosa quantia de 9,2 milhões; dívida brasileira, sob o comando de Lula, supera 9 trilhões; Correios, falidos, bancam 4 milhões de turnê de Gilberto Gil; 2 bilhões para artista. Duplamente feliz está o produtor do filme Ainda Estou Aqui que recebeu 32 milhões de BNDES e pelo fato do banco Itaú, do qual é herdeiro, ter tido um lucro em 2024 de 41.403 bilhões. Mas nada mais escandaliza, nenhuma forma de reação. Isso sem contar os salários monárquicos recebidos pelas diversas castas de funcionários públicos e as verbas liberadas aos borbotões como os 27 milhões para reforço na segurança do STF, cujos integrantes são contra que a população tenha armas e fazem turnê pelos EUA para defender “missão civilizatória” no Brasil. Em que momento da história roubar constantemente uma população a torna civilizada?
Esses são apenas alguns números. Há muito mais. Mas para um povo, que recebe educação de mané e, por isso, com QI abaixo de 83− similar a um símio−, eles são apenas uma abstração. Não consegue a população dar concretude à grandiosidade dessas quantias, pois, sem pensamento simbólico, é incapaz de imaginar essas cifras. E para a manutenção do status quo dos espoliadores dos manés, é importante que ninguém mais estude. Quem precisa de português, análise de texto, álgebra, química, física quando o que se oferece são novos saberes: racismo climático, saberes ancestrais, desconstrução eurocêntrica, performance identitária, cultura do corpo. Tudo envolto num palavrório de lero-lero, embalado com palavras bonitas, a ser ministrado em palestras, oficinas e aulas sobre “o que rola por aí”.
Quem pode, trata de salvar a família e escafeder-se do país. 2024 foi recorde em fuga do Brasil. Saída recorde, também, de dólares. Em dezembro de 2024: 24, 3 bilhões de dólares. No primeiro trimestre de 2025, já são 15,8 bilhões.
O Brasil não precisa mais atirar-se num penhasco para tentar sair do dia da marmota. Já está afundado no buraco, com lama até o pescoço. Como despertar uma população entorpecida, que precisa encontrar, por si mesma, uma forma de sair deste precipício? Que não consegue mais distinguir o que é fato e o que é narrativa, não sabe o que é certo ou errado, o que é feio ou bonito, diferenciar o bem do mal?
A proposta, inglória talvez, deste blog é propor reflexões sobre os acontecimentos e tentar trazer à luz alternativas para quem ainda está com a cognição e a lógica apagadas. Assim como o apagão elétrico que atingiu a Espanha, Portugal, Marrocos, partes da França, Irlanda não foi obra do acaso, já que, há trinta dias, o governo da Espanha orientou os espanhóis para que mantivessem um Kit de sobrevivência, o pagão que escurece a vida dos brasileiros também é um processo planejado. Mas paro por aqui. Acho que minha mente conspiranóica já foi longe demais. Mas o fato é que precisamos encontrar uma forma de sair destes dias que nos aprisionam sempre na mesma realidade.
30 de abril de 2025.